Fernando Pessoa e seus heterônimos.

Olá gente!!


Hoje eu vim falar sobre um assunto muito interessante para a literatura brasileira, os famosos heterônimos de Fernando Pessoa. Já falei muito de Pessoa aqui, postei muitos poemas, mas antes de conhece-lo me confundia um pouco, por que meus professores diziam o nome de outro autor e depois atribuía a ele. Depois quando comecei a lê-lo entendi que genial ele era. 

 O autor, entre muitos outros, criou principalmente 3 heterônimos ( Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro) e 1 semi-heterônimo ( Bernardo Soares) para os quais escrevia toda a história de vida e personalidade, até pequenos detalhes.


Álvaro de Campos

Entre todos os heterônimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo de sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.
 Começa com a sua trajetória como um decadentista, mas logo adere ao futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assuma uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos  da língua portuguesa " Tabacaria". É revoltado, livre, triste e crítico ao mundo moderno.

1.     Não sou nada.
        Nunca serei nada.
        Não posso querer ser nada.
        À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


5.      Janelas do meu quarto,
        Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
        (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
        Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
        Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
10.   Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
        Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
        Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
        Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
        Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
15.   Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
        E não tivesse mais irmandade com as coisas
        Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
        A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
        De dentro da minha cabeça,
20.   E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.


        Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
        Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
        À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
        E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


25.   Falhei em tudo.
        Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
        A aprendizagem que me deram,
        Desci dela pela janela das traseiras da casa.
        Fui até ao campo com grandes propósitos.
30.  Mas lá encontrei só ervas e árvores,
        E quando havia gente era igual à outra.
        Saio da janela, sento-me numa cadeira.
        Em que hei de pensar?


        Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
35.   Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
        E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
        Gênio? Neste momento
        Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,


        E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
40.   Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
        Não, não creio em mim.
        Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
        Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
        Não, nem em mim...
45.   Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
        Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
        Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
        Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
        E quem sabe se realizáveis,
50.   Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
        0 mundo é para quem nasce para o conquistar
        E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
       Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
        Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
55.   Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
        Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
        Ainda que não more nela;
        Serei sempre o que não nasceu para isso;
        Serei sempre só o que tinha qualidades;
60.   Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
        E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
        E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
        Crer em mim? Não, nem em nada.
        Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
65.   0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
        E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
        Escravos cardíacos das estrelas,
        Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
        Mas acordamos e ele é opaco,
70.   Levantamo-nos e ele é alheio,
        Saímos de casa e ele é a terra inteira,
        Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.


        (Come chocolates, pequena; Come chocolates!
        Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
75.   Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
        Come, pequena suja, come!
        Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
        Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
        Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
80.   Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
        A caligrafia rápida destes versos,
        Pórtico partido para o Impossível.
        Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
        Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
85.   A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
        E fico em casa sem camisa.


        (Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
        Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
        Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
90.   Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
        Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
        Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
        Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
        Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
95.   Meu coração é um balde despejado.
        Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
        A mim mesmo e não encontro nada.
        Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
        Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
100. Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
        Vejo os cães que também existem,
        E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
        E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
        Vivi, estudei, amei, e até cri,
105. E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
        Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
        E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
        (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
        Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
110. E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.


        Fiz de mim o que não soube,
        E o que podia fazer de mim não o fiz.
        0 dominó que vesti era errado.
        Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
115. Quando quis tirar a máscara,
        Estava pegada à cara.
        Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
        Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
        Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
120. Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
        E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


        Essência musical dos meus versos inúteis,
        Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
        E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
125. Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
        Como um tapete em que um bêbado tropeça
        Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.


        Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
        Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
130. E com o desconforto da alma mal-entendendo.
        Ele morrerá e eu morrerei.
        Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
        A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
        Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
135. E a língua em que foram escritos os versos.
        Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
        Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
        Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
        Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
140. Sempre o impossível tão estúpido como o real,
        Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
        Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
        Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
        E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
145. Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
        E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.


        Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
        E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
        Sigo o fumo como uma rota própria,
150. E gozo, num momento sensitivo e competente,
        A libertação de todas as especulações
        E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.


        Depois deito-me para trás na cadeira
        E continuo fumando.
155. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.


        (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
        Talvez fosse feliz.)
        Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.


        0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
160. Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
        (0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
        Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
        Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
         Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

O heterônimo Ricardo Reis é descrito como um médico que se definia como latinista e monárquico. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo. O fim inexorável de todos os seres vivos é uma constante na sua obra, clássica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia não-cristã.
Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal e não se sabe o ano da sua morte.
Em O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heterônimo após a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um diálogo com o seu heterónimo, sobrevivente ao criador.

Alberto Caeiro

Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como camponês, quase sem estudos formais. Teve apenas a instrução primária, mas é considerado o mestre entre os heterônimos (pelo ortônimo). Depois da morte do pai e da mãe, permaneceu em casa com uma tia-avó, vivendo de modestos rendimentos e morreu de tuberculose. Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma "não-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a metafísica e qualquer tipo de simbologia para a vida.
Os escritos pessoanos, conferem a Alberto Caeiro um papel quase místico, enquanto poeta e pensador.
Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada. A sua obra está agrupada na coletânea Poemas Completos de Alberto Caeiro.

Bernardo Soares

Bernardo Soares é, dentro da ficção de seu próprio Livro do Desassossego, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Conheceu Fernando Pessoa numa pequena casa de pasto frequentada por ambos. Foi aí que Bernardo deu a ler a Fernando seu livro, que, mesmo escrito em forma de fragmentos, é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX.
Bernardo Soares é muitas vezes considerado um semi-heterónimo porque, como seu próprio criador explica:
"Não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade."
A instância da ficção que se desenvolve no livro é insignificante, porque trata-se de uma "autobiografia sem factos", como o próprio Fernando Pessoa situa o livro. Dessa forma, o que interessa em sua prosa fragmentária é a dramaticidade das reflexões humanas que vêm à tona na insistência de uma escrita que se reconhece inviável, inútil e imperfeita, à beira do tédio, do trágico e da indiferença estética. O fato de Fernando Pessoa considerar (em cartas e anotações pessoais) Bernardo Soares um semi-heterônimo faz pensar na maior proximidade de temperamento entre Pessoa e Soares. Nesse sentido, para alguns, o jogo heteronímico ganha em complexidade e Pessoa logra o êxito da construção de si mesmo como o mais instigante mito literário português na Modernidade.

Esses heterônimos são geniais, o mais legal, é saber que todos são partes do poeta, mesmo sendo diferentes, são vários lados de um só ser. Pessoa é gênio.



Resenha Ateneu - Raul Pompéia.

Olá gente!!!

Hoje a resenha é de um clássico nacional. O Ateneu. 

O Ateneu



O Ateneu constitui uma das obras-primas da literatura brasileira. Autobiográfico, o livro mostra o jovem autor como personalidade sensível que se transformou em crítico impiedoso do que viveu e viu na adolescência passada no colégio interno. A obra retrata o doloroso processo de transição da infância à idade adulta.


Editora: Martin Claret
ISBN: 8572323589
Ano: 2001
Páginas: 196






Por ser uma narrativa realista, onde visa-se o coletivo,  levando á idéia de que o colégio Ateneu é o personagem principal, entrentanto a história se inicia com o garoto, Sérgio, narrando, supondo-se, então, que o mesmo seja o personagem principal. 
 Porém, tenha atenção, de acordo com as características Realistas, não tem personagem principal.

Sérgio vai estudar em um novo colégio, localizado no Rio de Janeiro. Um colégio de elite ( presumo) e hierárquico, e seu primeiro símbolo de hierarquia é o diretor Aristarco. 
 Em um internato, longe de sua família, o Ateneu de início lhe parece um lugar um pouco assustador e o maior problema de Sérgio é a Solidão. No colégio masculino, o primeiro a conversar com Sérgio e lhe apresentar alguns colegas de classe é Rebelo. 
 Durante o livro, o menino conhece a homossexualidade, a malicia de certos garotos as voltas querendo se divertir. A cada capítulo algo diferente acontece no Ateneu. 
 O ápice do homossexualismo no livro é quando Sérgio conhece Alves, ele faz alusão a esse lado que existe dentro de si como se fosse uma forma de refúgio. Os dois parecem ter uma espécie de relação , embora não seja declarada, e nem explícita.
Após as férias, e com o tempo que passou no colégio, ele parece ter certa malícia ( necessária) para conviver no Colégio, para se sentir bem. 
 Enfim, o que aconteceu no Ateneu? Bem, esta é uma pergunta que não posso responder, nem posso falar muito sobre o livro se não perde a graça. Só posso garantir que é o melhor clássico brasileiro que já li ( garanto também que não li muitos, então... Sem críticas, por favor, mas gostei muito do livro )

 AH ! Sinceramente, para quem não gosta ou se sente incomodado com essa temática, não leia. Sejamos conscientes, do que nos agrada e o que é bom. 

 BEIJOS!!!!
Jana Schequenne.

A obra de ... Mark Twain

Olá gente!


Hoje nós vamos falar sobre um grande escritor e humorista americano, autor de Tom Sawyer principalmente. Vamos conhecer mais sobre Mark Twain.


Samuel Langhorne Clemens nasceu em Florida, Missouri em 30 de Novembro de 1835 e morreu em Connecticut em 21 de Abril de 1910, tinha como pseudônimo Mark Twain.

Twain cresceu no Missouri que mais tarde serviu como inspiração e cenário de seu livro Huckleberry Finn e Tom Sawyer. Após trabalhar como tipógrado em diversas cidades, foi ajudar seu irmão mais velho na administração de um jornal, exercendo diversas funções, desde impressor á colunista. Tornou-se piloto de barcos a vapos no Rio Mississipi, antes de ir ao oeste com seu irmão em diligências do município, trabalhou também como mineiro de Prata, voltou ao jornalismo, escrevendo contos humorísticos tais como : The celebrated Jumping frog of Calaveras County, lançou seu diário de viagens e ambos fizeram grande sucesso.
Ele obteve grande êxito como escritor e palestrante. Seu raciocínio perspicaz e suas sátiras incisivas renderam-lhe a admiração de seus pares e o enaltecimento dos críticos, e Twain manteve boas relações com presidentes, artistas, industriais e a realeza europeia. Ele foi laureado como o "maior humorista americano de sua época", sendo definido por William Faulkner como o "pai da literatura americana".
Apesar disso, faltava-lhe perspicácia financeira. As somas consideráveis que ganhou com seus escritos e palestras foram desperdiçadas em diversos empreendimentos, em particular o Paige Compositor, o que acabou por forçá-lo a declarar falência. Com a ajuda de Henry Huttleston Rogers, no entanto, Twain superou seus problemas financeiros. Ele trabalhou arduamente para certificar-se de que todos os seus credores fossem pagos, mesmo que a condição de falido o isentasse da responsabilidade legal.
Nascido durante uma das passagens do Cometa Halley, Twain morreu 74 anos depois, pouco depois do astro voltar a se aproximar da Terra. "Será a maior decepção da minha vida se eu não for embora com o cometa", escrevera ele em 1909. "O Todo-Poderoso disse, indubitavelmente: 'cá estão esses dois inexplicáveis fenômenos; eles chegaram juntos, e devem partir juntos'".

Vida Literária.

Mark Twain começou sua carreira com prosas leves e divertidas, evoluindo até se tornar um cronista irreverente das futilidades, hipocrisias, loucuras e maldades da humanidade. No meio de sua carreira, com Huckleberry Finn, ele combinou humor refinado, uma narrativa vigorosa e críticas sociais para formar o romance que seria considerado um dos melhores da literatura americana. Twain era especialista em transcrever o coloquialismo para o papel, e ajudou a criar e popularizar um estilo literário regionalmente distinto, construído a partir de temas e linguagens norte-americanas.
Em razão do vasto número de textos escritos por Twain (frequentemente publicados em jornais obscuros) e por seu costume de utilizar diversos pseudônimos diferentes, estudiosos consideram praticamente impossível compilar sua bibliografia completa. Além disso, uma grande parcela dos discursos e palestras de Twain se perderam ou não foram transcritos. Sendo assim, a reunião de suas obras permanece um processo em andamento; pesquisadores continuam a redescobrir e a catalogar seus trabalhos, muitos deles esquecidos desde a publicação original.

Tom Sawyer e Huckleberry Finn



 The Adventures of Tom Sawyer, inspirado em sua juventude em Hannibal. Tom Sawyer foi modelado em Twain quando criança, com traços de dois de seus colegas de escola, John Briggs e Will Bowen. O livro marcou também a primeira aparição do personagem Huckleberry Finn, este baseado em Tom Blankenship, amigo de infância de Twain.
Apesar de apresentar um enredo atualmente onipresente no cinema e na literatura, The Prince and the Pauper não foi bem recebido. Contando a história de dois garotos nascidos no mesmo dia e que são fisicamente idênticos, a obra envereda para o comentário social quando o príncipe e o pobre trocam de lugar. Pauper foi a primeira tentativa de Twain de escrever ficção, e suas deficiências são geralmente consideradas resultado da falta de conhecimento do autor a respeito da sociedade britânica, e também pelo fato de ter sido a primeira obra escrita após o enorme sucesso de vendas do livro anterior. Entre a produção de Pauper, Twain começara Adventures of Huckleberry Finn (que ele enfrentou sérios problemas em finalizar), e começou e terminou mais um diário de viagens, A Tramp Abroad, que detalha sua visita às regiões central e sul da Europa.
A próxima publicação de impacto de Twain, Adventures of Huckleberry Finn, solidificou sua reputação como escritor. Definido por alguns como o "maior romance americano", o livro tornou-se leitura obrigatória em muitas escolas dos Estados Unidos. Huckleberry Finn foi um desdobramento deTom Sawyer, apresentando um tom mais sério que seu predecessor. A principal premissa por trás da obra é a fé do jovem Huck Finn em fazer o que ele acredita estar certo, mesmo que seja considerado errado por outros. Quatrocentas páginas foram manuscritas por Twain em meados de 1876, logo depois da publicação de Tom Sawyer. Alguns relatos dão conta que o escritor interrompeu o trabalho por sete anos após este primeiro momento de criatividade, eventualmente terminando o livro em 1883. Outros dizem que Twain escreveu Huckleberry Finn em seguida a The Prince and the Pauper e outros textos de 1880 em diante. De qualquer maneira, perto de concluir o livro, Twain escreveu Life on Mississippi, com suas memórias e novas impressões do Mississippi, o que teria influenciado enormemente seu trabalho em Huckleberry Finn.

Últimos trabalhos

Depois de publicar suas obras mais conhecidas, Twain passou a focar sua atenção em seus investimentos na tentativa de manter uma fonte de renda estável devido às dificuldades cada vez mais crescentes que enfrentava em seus projetos literários. Ele dedicou bastante atenção à publicação das memórias de Ulysses S. Grant pela editora Charles L. Webster & Company, que ele mantinha com Charles L. Webster, sobrinho de Olivia. Nesse ínterim, ele encontrou tempo para escrever "The Private History of a Campaign That Failed" para a revista Century Magazine, um artigo detalhando seu envolvimento de duas semanas com uma milícia Confederada durante a Guerra Civil Americana.
Sua próxima obra de expressão, Pudd'nhead Wilson, foi escrita de forma apressada, enquanto Twain tentava desesperadamente salvar-se da falência. De 12 de novembro a 14 de dezembro de1893, ele escreveu 60,000 palavras para o romance. Os críticos apontaram a finalização precipitada como motivo da desorganização da obra, com suas interrupções constantes na continuidade do enredo. Foram também traçados paralelos entre este livro e os problemas financeiros de seu autor, particularmente no que concerne ao desejo de escapar das dificuldades presentes e transformar-se em uma pessoa diferente.19
O último trabalho de Twain foi sua autobiografia, ditada por ele a uma secretária em forma não linear ou cronológica. Alguns arquivistas e compiladores rearranjaram a obra para que ela tomasse um formato mais convencional, eliminando dessa forma muito do humor de Twain e da fluidez do livro. O primeiro volume da autobiografia, com mais de 700 páginas, foi publicado pelaUniversidade da Califórnia em novembro de 2010, atendendo ao desejo do escritor de que o livro só fosse lançado 100 anos após sua morte. Sucesso inesperado, fez de Twain um dos poucos detentores de best-sellers publicados nos séculos XIX, XX e XXI.34 35 36




  • (1867) The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County (ficção)
  • (1868) General Washington's Negro Body-Servant (ficção)
  • (1868) My Late Senatorial Secretaryship (ficção)
  • (1869) The Innocents Abroad (diário de viagem não-fictício)
  • (1870–71) Memoranda (coluna mensal na revista Galaxy)
  • (1871) Mark Twain's (Burlesque) Autobiography and First Romance (ficção)
  • (1872) Roughing It (não-ficção)
  • (1873) The Gilded Age: A Tale of Today (ficção, adaptada para o teatro)
  • (1875) Sketches New and Old (estórias)
  • (1875) Some Learned Fables for Good Old Boys and Girls (ficção, contos)
  • (1876) Old Times on the Mississippi (não-ficção)
  • (1876) As aventuras of Tom Sawyer (ficção)
  • (1876) A Murder, a Mystery, and a Marriage (ficção); (1945, edição privada); (2001, Atlantic Monthly)
  • (1877) A True Story and the Recent Carnival of Crime (estórias)
  • (1877) The Invalid's Story (ficção)
  • (1878) Punch, Brothers, Punch! and other Sketches (ficção)
  • (1879) The Great Revolution in Pitcairn (ficção)
  • (1880) A Tramp Abroad (diário de viagens)
  • (1880) 1601: Conversation, as it was by the Social Fireside, in the Time of the Tudors (ficção)
  • (1882) The Prince and the Pauper (ficção)
  • (1882) The Stolen White Elephant (ficção)
  • (1883) Life on the Mississippi (não-ficção)
  • (1884) Adventures of Huckleberry Finn (ficção)
  • (1887) English As She Is Spoke (não-ficção)
  • (1888) Mark Twain's Library of Humor
  • (1889) A Connecticut Yankee in King Arthur's Court (ficção)
  • (1892) The American Claimant (ficção)
  • (1892) Merry Tales (ficção)
  • (1892) Those Extraordinary Twins (ficção)
  • (1893) The £1,000,000 Bank Note and Other New Stories (contos fictícios)
  • (1894) Tom Sawyer Abroad (ficção)
  • (1894) The Tragedy of Pudd'nhead Wilson (ficção)
  • (1896) Tom Sawyer, Detective (ficção)
  • (1896) Personal Recollections of Joan of Arc (ficção)
  • (1897) How to Tell a Story and other Essays (ensaios não-fictícios)
  • (1897) Following the Equator (diário de viagens)
  • (1898) Concerning the Jews (não-fictício)
  • (1898) Is He Dead? (peça)
  • (1900) The Man That Corrupted Hadleyburg (ficção)
  • (1900) A Salutation Speech From the Nineteenth Century to the Twentieth (ensaio)
  • (1901) The Battle Hymn of the Republic, Updated (sátira)
  • (1901) Edmund Burke on Croker and Tammany (sátira política)
  • (1901) To the Person Sitting in Darkness (ensaio)
  • (1901) To My Missionary Critics (ensaio, The North Atlantic Review 172, abril de 1901)
  • (1902) A Double Barrelled Detective Story (ficção)
  • (1904) A Dog's Tale (ficção)
  • (1904) Extracts from Adam's Diary (ficção)
  • (1905) King Leopold's Soliloquy (sátira política)
  • (1905) The War Prayer (ficção)
  • (1906) The $30,000 Bequest and Other Stories (ficção)
  • (1906) What Is Man? (ensaio)
  • (1906) Eve's Diary (ficção)
  • (1907) Christian Science (não-ficção)
  • (1907) A Horse's Tale (ficção)
  • (1909) Is Shakespeare Dead? (não-ficção)
  • (1909) Captain Stormfield's Visit to Heaven (ficção)
  • (1909) Letters from the Earth (ficção, publicação póstuma)
  • (1910) Queen Victoria's Jubilee (não-ficção)
  • (1912) My Platonic Sweetheart (diário possivelmente não-fictício)
  • (1916) The Mysterious Stranger (ficção, possivelmente não é de autoria de Twain, publicado postumamente)
  • (1919) The Curious Republic of Gondour and Other Whimsical Sketches (ficção)
  • (1920) Moments with Mark Twain
  • (1922) The Writings of Mark Twain (37 volumes, editado por Albert Bigelow Paine, Gabriel Wells, Nova York, 1922–1925)
  • (1923) The United States of Lyncherdom (ensaio, publicação póstuma)
  • (1924) Mark Twain's Autobiography (não-ficção, publicação póstuma)
  • (1931) The Private Life of Adam and Eve (ficção)
  • (1935) Mark Twain's Notebook (diário, publicação póstuma)
  • (1935) Slovenly Peter (tradução de der Struwwelpeter)
  • (1938) The Washoe Giant in San Francisco (estórias)
  • (1940) Mark Twain in Eruption
  • (1946) The Portable Mark Twain (editada por Bernard DeVoto, 2004)
  • (1962) Letters from the Earth (publicação póstuma, editada por Bernard DeVoto)
  • (1969) No. 44, The Mysterious Stranger (ficção, publicação póstuma)
  • (1992) Mark Twain's Weapons of Satire: Anti-Imperialist Writings on the Philippine-American War (publicação póstuma)
  • (1995) The Bible According to Mark Twain: Writings on Heaven, Eden, and the Flood (publicação póstuma)
  • (2009) Who is Mark Twain? (publicação póstuma)
  • (2010) Autobiography of Mark Twain, Vol. 1. (publicado 100 anos após sua morte)

Mesmo atrasada a postagem de sábado está aqui. Desculpem o atraso, tinha muitas coisas da escola para fazer e não me sobrou tempo. 

 Espero que vocês gostem !!

BEIJOS

AMY XO !!!