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A literatura Africana em três autores

Oláa!!

 A literatura Africana vem ganhando destaque cada vez mais no mercado internacional, então vale a pena conhecer um pouco melhor os escritores deste continente que tem presença tão forte na história do Brasil.

 Mia Couto 
Mia Couto. Foto: Divulgação

Eu adoro o Mia e passei algumas boas horas na fila da Bienal do Rio para conseguir um autógrafo, coisa que não aconteceu porque um dos meus amigos passou mal do nada. Mas tirando toda essa desgraça, eu comprei o livro e vi que a fila estava enorme, li e adorei.
 Mia é moçambicano e foi o primeiro Africano a ganhar o prêmio de União das Literaturas Românticas. 
 Sua narrativa é considerada como realismo fantástico pela utilização de situações figuradas, referências aos mitos e lendas do folclore de seu país. Por esse tipo de narrativa, Mia é comparado com Gabriel Garcia Márquez, Guimarães Rosa e Jorge Amado. Normalmente suas obras tratam de assuntos relacionados a identidade do povo africano, o conflito entre a imposição dos valores coloniais e os valores tradicionais, reprimidos, que se preservaram, refletindo, através disto, o meio de viver e pensar do povo negro moçambicano.  
 Seus livros mais famosos são " Terra sonâmbula" e " Antes de nascer o mundo". 
Terra Sonâmbula

Pepetela
Pepetela. Foto: Divulgação
Pepetela é Angolano, e provavelmente um dos autores africanos mais conhecidos atualmente. Ele foi militante do Movimento Popular para a Libertação a favor da independência angolana e também foi o vencendor de um dos mais importantes prêmios da literatura mundial, pelo conjunto da obra, Prêmio Camões. 
 Seus livros são muito ligados á política, uma vez que trata da independência da Angola. Mostram as dúvidas e angústias da consequência das guerras civis e da independência, além de abordar também a identidade do seu país, rico porém que sofre muito com a pobreza deixada pelos de guerra civil .
 O livro mais famoso e indicado de Pepetela é a " Parábola do Cágado Velho" que tem sua história construída a partir de um mito angolano. 

José Eduardo Agualusa
 Não tem muito o que falar de Agualusa, que está em grande destaque no Brasil após o lançamento de seu livro "Teoria geral do esquecimento". Ficaremos com esse definição que ele deu de si mesmo em uma entrevista. "Quem eu sou não ocupa muitas palavras: angolano em viagem, quase sem raça. Gosto do mar, de um céu em fogo ao fim da tarde. Nasci nas terras altas. Quero morrer em Benguela, como alternativa pode ser Olinda, no Nordeste do Brasil." 

Com quase 20 livros lançados, onde utiliza linguagem poética e a fantasia para contar temas fortes sobre a realidade angolana. O mais conhecido e o atual é o já citado " Teoria geral do esquecimento"Teoria Geral do Esquecimento

Existem muitos outros, esses são os mais conhecidos. 
 Vocês já leram? Se interessa pela cultura africana?

Beijos!!
AMY XO 

Resenha Cada homem é uma raça - Mia Couto

Oláaa!!

 Mia Couto veio na Bienal, comprei o livro, peguei a senha mas infelizmente não pude pegar autógrafos. No entanto li o ótimo livro " Cada homem é uma raça" e hoje vim contar o que achei para vocês.
  Essa vai ser uma daquelas resenhas meio desajeitadas, porque esse livro é composto de vários contos e como não virei fã de todos, não me lembro de detalhes de todos, mas vou tentar.

Mia Couto é um escritor moçambicano, que revela nesta obra, extrema sensibilidade e percepção do sofrimento humano, da discriminação e da cultura afro. Amiúde, vai revelando ao leitor um perfil do tio Geguê. O autor toca o leitor com insights como este: "História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens".


Editora: Companhia das Letras              ISBN: 9788535922523
Ano: 2013                                                     Páginas: 198









" Inquirido sobre sua raça, respondeu: - A minha raça sou eu, João Passarinheiro. Convidado a explicar-se, acrescentou: - Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia"


O livro é dividido em 11 contos sobre os mais variados assuntos, trágicos quase sempre, porém com uma beleza e uma leveza de escrita incomparável. Não vou falar de cada um , vou citar os nomes com um pouquinho do que diz, falar sobre os que mais gostei e dizer o que achei no geral do livro .

 Os contos são: 

 A rosa caramela - Fala de uma menina bonita de rosto mas feia de corpo que estava noiva de Juca, porém uma coisa inesperada acontece e muda os planos.
 " Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o voo da nuvem e a prisão do charco. Afinal, somos caçadores que a si mesmo se azagaiam. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara".

O apocalipse privado do tio Geguê - Tio Geguê é um homem simples que cuida de sua sobrinha, ao entrar para o grupo de vigilância ele começa a mudar, não tira a farda do grupo nem por um minuto, nem para dormir.
 " - Pai, ensina-me a existência. 
 - Não posso. Eu só conheço um conselho. 
 - E é qual? 
 - É o medo, meu filho. " 

"História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos transmutáveis homens. Agora quando desembrulho minhas lembranças eu aprendo meus muitos idiomas. Nem assim me entendo. Porque quando me descubro, eu mesmo anoiteço, fosse haver coisas visíveis em plena cegueira.
 Pág: 29"

Rosalinda, a nenhuma
- Rosalinda, uma senhora que perdeu o marido e passava maior parte do tempo conversando e discutindo com o falecido.
 " É preciso que compreendam: nós não temos competência para arrumarmos os mortos no lugar do eterno. Os nossos defuntos desconhecem a sua condição definitiva: desobedientes, invadem-nos o quotidiano, imiscuem-se do território onde a vida deveria ditar sua exclusiva lei. A mais séria consequência desta promiscuidade é que a própria morte, assim desrespeitada pelos seus inquilinos, perde o fascínio da ausência total. A morte deixa de ser a mais incurável e absoluta diferença entre os seres"

O embondeiro que sonhava pássaros
- A história de um vendedor que é preso após descobrir e ser recusado como tio de um menino branco, por ser negro. 
 " Pássaros: Todos os que no chão desconhecem morada."

A princesa Russa
- A confissão de um homem sobre seu caso com uma princesa Russa.
 " Bastou correr a fama que em Manica havia outro e anunciar-se que para o transportas se construiria uma linha férrea, para logo aparecerem libras, às dezenas de milhar, abrindo lojas, estabelecendo carreiras de navegação a vapor, montando serviços de transportes terrestres, ensaiando indústrias, vendendo aguardente, tentando explorar por mil formas não tanto o ouro, como os próprios exploradores de futuro de ouro [...]"


O pescador cego - A história de um pescador que em meio a uma pescaria se perde por causa de uma tempestade, sem comida ou outro recurso, ele se apega a fé.
 "O barco de cada um está em seu próprio peito. "

 "Vivemos longe de nós, em distante fingimento. Desaparecemo-os. Porque nos preferimos nessa escuridão interior? Talvez porque o escuro juntas as coisas, costura os fios do disperso. No aconchego da noite, o impossível ganha a suposição do visível. Nessa ilusão descansam os nossos fantasmas.
PG 97"

O ex-futuro padre e sua pré-viúva - " A vida é uma teia tecendo a aranha. Que o bicho que acredite caçador em casa legítima pouco importa. No inverso instante, ele se torna cativo em alheia armadilha. Confirma-se nesta estória sucedida em virtuais e miúdas paragens.

Mulher de Mim - "  O homem é o machado, a mulher é a enxada"

A lenda da noiva e do forasteiro - "Eis o meu segredo : já eu morri. Nem essa é a minha tristeza. Me custa é haver só uns que me acreditam: os mortos"

Sidney Poitier na barbearia de Firipe Beruberu - " Império: em pé, rio a bandeiras despregadas"

Os mastros do Paralém - " Só um mundo novo nós queremos: o que tenha tudo de novo e nada de mundo" 

As histórias são todas muito envolventes, dá pra tirar uma lição de cada uma e ainda por cima é cheio de frases e trechos tão lindos, quase poéticos. Eu me senti super bem lendo livro, senti uma certa magia.
A escrita de Mia Couto é fluida, fazia tempo que não lia um escritor, ainda vivo, escrever tão bem como ele. O livro faz várias referências as palavras do português, a cultura dos países do idioma, principalmente moçambique e a ditos e cantos populares dos mesmos.
 Simplesmente incrível!
 Recomendo, se quiser ótimos contos, mais maduros do verdadeiro português Mia é excelente. O fio das miçangas já está na minha lista.

 Beijos!!! AMY XO


PS.: frases em verde são as que iniciam o capítulo.

Lançamentos muito legais da bienal.

Olá gente!!

Hoje vim falar para vocês os lançamentos ou as tardes de autógrafos, que eu pretendo comprar ou que compraria ( mas tô pobre :D).

Nuno Camarneiro - Debaixo de algum céu               Editora:Leya

Debaixo de Algum CéuNum prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças – vizinhos que se cruzam mas se desconhecem – andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive: uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebê que testa os pais em conflito, o reformado que constrói loucuras no porão, uma família quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, pois não há maneira de o medo se fazer ouvir. A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens – como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, e ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer – e, nesse ínterim, nasce Cristo e salva-se um homem. Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de Algum Céu – obra vencedora do Prêmio LeYa em 2012 – retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.




Camila Dornas - A Linhagem                Editora: Novo Século 


A linhagemLondres do século XVIII. A capital da Inglaterra era um dos mais importantes centros do mundo. Vestidos pomposos, elegância e boas maneiras. Um tempo onde as posses e a reputação regiam a sociedade. A igreja possuía poder absoluto e condenava aqueles os quais pesava a suspeita de bruxaria – a arte oculta temida e repudiada pelo senso comum. Nesse cenário intimidador, surge uma mulher especial, com dons inimagináveis. E um destino grandioso... 
















Marina Carvalho - Simplesmente Ana       Editora: Novo Conceito

Simplesmente AnaImagine que você descobre que seu pai é um rei. Isso mesmo, um rei de verdade em um país no sudeste da Europa. E o rei quer levá-la com ele para assumir seu verdadeiro lugar de herdeira e futura rainha… Foi o que aconteceu com Ana. Pega de surpresa pela informação de sua origem real, Ana agora vai ter que decidir entre ficar no Brasil ou mudar-se para Krósvia e viver em um país distante tendo como companhia somente o pai, os criados e o insuportável Alex. Mudar-se para Krósvia pode ser tentador — deve ser ótimo viver em um lugar como aquele e, quem sabe, vir a tornar-se rainha —, mas ela sabe que não pode contar com o pai o tempo todo, afinal ele é um rei bastante ocupado. E sabe também que Alex, o rapaz que é praticamente seu tutor em Krósvia, não fará nenhuma gentileza para que ela se sinta melhor naquele país estrangeiro. A não ser… A não ser que Alex não seja esta pessoa tão irascível e que príncipes encantados existam. Simplesmente Ana é assim: um livro divertido, capaz de nos fazer sonhar, mas que — ao mesmo tempo — nos lembra das provas que temos que passar para chegar à vida adulta.







Marcel Colombo - Al Aisha e os esquecidos     Editora: Novo século

Al-Aisha e os EsquecidosComo num sopro de dragão, um fantasma surge em seu quarto, surgindo no lugar que você jurava ser o local perfeito e seguro. Mas essa aparição é apenas o começo de longos acontecimentos estranhos que estão por vir. Será que você sobreviveria à queda de uma estranha bola de fogo, que poderia destruir, quase que por completo, a sua cidade? Estaria pronto para descobrir o que existe dentro da destruição e da fumaça que se forma, indo muito além da imaginação de seu mundo? O seu mundo está para se colidir com um outro, e isso poderá mudar tudo… Até mesmo o seu destino. Tudo poderá acontecer e, de uma forma ou de outra, sua vida irá mudar para sempre, não importa onde e nem como. Siga as ordens de um coelho ranzinza, ajude o seu misterioso amigo, perdoe quem você jamais perdoaria, ame de verdade e deixe que eu seja a sua guia nessa jornada. Eu me chamo Al-Aisha e irei te guiar. Mas, antes, preciso saber: Você está pronto para ser esquecido?









Bruna Camporezi - Os segredos de Landara    Editora: Novo Século


Os Segredos de LandaraAcordar em um lugar sujo e completamente estranho parece algo insano demais, principalmente quando uma jovem percebe que está dentro de uma prisão e não consegue se recordar nem mesmo de seu próprio nome. Completamente perdida, sua única escolha é tentar se comunicar com os outros encarcerados, como James, um antigo prisioneiro que parece saber muito sobre ela. A garota descobre que está em Landara, uma ilha que abriga criaturas incríveis e civilizações bem peculiares. Para desvendar os mistérios desse lugar, terá que encontrar Klaus Leone, um cientista genial que há tempos esconde algo que poderá mudar o futuro da ilha. E ao contar com a ajuda de diversos companheiros, acabará se apaixonando por um deles. As descobertas de seu passado e sobre este mundo aumentam a cada página e, de forma surpreendente, acabam alterando o rumo da viagem, obrigando-a a enfrentar situações que ela só acreditava ser possível em sonhos. O que esta extraordinária ilha tem de tão oculta?









Mia Couto - Cada Homem é uma raça -                  Editora: Companhia de Letras

Mia Couto é um escritor moçambicano, que revela nesta obra, extrema sensibilidade e percepção do sofrimento humano, da discriminação e da cultura afro. Amiúde, vai revelando ao leitor um perfil do tio Geguê. 
O autor toca o leitor com insights como este: "História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens". 
















Felipe Colbert - Ponto Cego                 Editora: Novo Século 

Ponto CegoUm ano após o acidente que interrompeu a gravidez de Nilla e sentindo-se culpado pela iminente separação, o repórter Daniel Sachs recebe um pedido de socorro escondido em um objeto e descobre que sua ex-mulher desapareceu em Veneza durante a cobertura de um show de ilusionismo. Seguro de que é o único que pode ajudá-la, ele parte em busca do resgate da fotógrafa e, consequentemente, a correção de todo passado. Porém, pistas misteriosas dão indícios de que o desaparecimento de Nilla possa estar ligado a um novo tipo de comércio ilegal na cidade – a produção de filmes snuff. Ao solicitar ajuda ao investigador Giuseppe Pacino, Daniel passa a ser perseguido e a ter sua vida ameaçada por um impiedoso criminoso. A situação piora quando eles ficam sabendo que Lorenzo Oro, um ilusionista cego de grande prestígio na Europa e dono de habilidades surpreendentes, foi a última pessoa a conversar com Nilla antes de seu desaparecimento. Incerto das próxima ações, Daniel enfrentará uma série de obstáculos e revelações imprevisíveis até chegar ao clímax arrebatador: a decisão de permitir ou não que seu corpo seja controlado por outra pessoa para salvar a mulher que ainda ama.







Até mais gente! Esse post vai ter segunda parte , mas por enquanto é só isso.
BEIJOS!!!!

AMY XO 

As principais atrações internacionais da Bienal.

Olláááááá!!

Com muita alegria e felicidade redundante não?,  que venho aqui contar-lhes sobre as programações da bienal. Inicialmente falarei sobre os principais e mais pra frente falo mais.
 Irei nos dias 1 e 7, além de existir grande probabilidade de dia 8. Tentarei cobrir ao máximo, então faça como eu, anote tudo que você quer acompanhar e se joga! kk

31 de agosto

12:00 Conexão Jovem com Nicholas Sparks  - Auditório Raquel de Queiroz. 
14:00 Café literário com Matthew Quick ( O lado bom da vida), Flávio Carneiro e Socorro Acioli - Tema: Novas definições de leitor: O jovem , o jovem adulto e o adulto.   Pavilhão Azul.
15: 00 Encontro Com autor Emily Giffin ( Questões do coração) - Pavilhão Verde

1 de setembro

12:00 Acampamento literário - Corey May ( Assassin's Creed) - Auditório de Rachel de Queiróz. 
15:30 Café literário - Allan Percy ( Nietzsche para estressados) e Adilson Xavier - Tema: A felicidade num minuto: Como transformar a sabedoria em bem de uso imediato  - Pavilhão: Azul
17:00 Café literário - Ana Maria Machado, Luiz Ruffalo e Mia Couto ( O fio das Missangas) - Tema: O que é um autor ? Agruras e prazeres de quem se dedica a escrita - Pavilhão : Azul

7 de Setembro

12:00 Encontro com autores James Hunter ( O monge e o executivo) - Pavilhão verde
15:00 Encontro com autores Silvia Day ( Toda Sua ) - Pavilhão verde


Autógrafos!!

31 de Agosto

16:00 Emily Giffin ( Questões do coração, Laços inseparáveis etc)
20:30 Mia Couto ( Fio das missangas, Cada homem é uma raça) Pavilhão Azul

1 de Setembro

15:30 Corey May ( Assassins Creed ) Pavilhao Azul
18:00 Mia Couto 

Se faltar alguma coisa, é só acessar o site da bienal, é muita informação ás vezes acontece. 
Até o próximo onde falarei dos nacionais. 

BEIJOS!!
AMY XO

A obra de ... Mia Couto

Olá gente!

Mia Couto está sendo um dos autores mais esperados da bienal do livro, na área de livros adultos, por isso hoje vamos conhecê-lo melhor.


Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Além de considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Foi fundador de uma empresa de estudos ambientais da qual é colaborador.
Em 2013 foi outorgado com o Prêmio Camões, que lhe foi entregue em 10 de junho no Palácio de Queluz pelas mãos do presidente de Portugal Cavaco Silva e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
A obra 
Estreou-se no prelo com um livro de poesia, Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Este livro revela o mesmo comportamento literário de estreita relação com a tradição e memória cultural africanas que evidenciam a orientação regionalista, marcante em toda a sua criação literária. A poesia “Sotaque da terra” aborda sentimentos impostos por condições históricas diretamente ligados à realidade do povo africano: a língua, a terra e a tradição.
No entanto, já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana".
Em 1999, a Editorial Caminho (que publica as obras de Couto em Portugal) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que teve sua 3ª edição em 2001.
A mesma editora dá ao prelo em 2011 o seu segundo livro de poesia, "Tradutor de Chuvas".

Contos

Nos meados dos anos 80,Mia Couto estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou:

  • Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo)
  • Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005)
  • Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003)
  • Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002)
  • Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003)
  • O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)

Crónicas

Para além disso, publicou em livros algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:

  • Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989)
  • O País do Queixa Andar (2003)
  • Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005)
  • E se Obama fosse Africano? e Outras Interinvenções (1ª ed. da Caminho em 2009)

Romances

E, naturalmente, não deixou de lado o género romance, tendo publicado:

  • Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional doZimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX)
  • A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003)
  • Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004)
  • Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004)
  • O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção em 2001)
  • O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003), com ilustrações de Marilda Castanha (1ª ed. brasileira, da Cia. das Letrinhas, em 2008)
  • Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira)
  • A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004)
  • O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006)
  • O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (1ª ed. da Língua Geral em 2006)
  • Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008)
  • Jesusalém [no Brasil, o livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009)
  • A Confissão da Leoa (2012)