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Caixinha de sentimentos Embriague-se - Baudelaire



É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Caixa de sentimentos ... Gonçalves dias - Não me deixes não!



Não me deixes não! - Gonçalves dias.

Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!

"Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"
 
Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"

Caixa de Sentimentos - Mario Quintana - Quem sabe um dia.


Quem 
sabe um dia 
Quem sabe um seremos 
Quem sabe um viveremos 
Quem sabe um morreremos! 

Quem é que 
Quem é macho 
Quem é fêmea 
Quem é humano, apenas! 

Sabe amar 
Sabe de mim e de si 
Sabe de nós 
Sabe ser um! 

Um dia 
Um mês 
Um ano 
Um(a) vida! 

Sentir primeiro, pensar depois 
Perdoar primeiro, julgar depois 

Amar primeiro, educar depois 
Esquecer primeiro, aprender depois 

Libertar primeiro, ensinar depois 
Alimentar primeiro, cantar depois 

Possuir primeiro, contemplar depois 
Agir primeiro, julgar depois 

Navegar primeiro, aportar depois 
Viver primeiro, morrer depois 

Caixa de sentimentos Enchantagem - Paulo Leminsky



Enchantagens

De tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

De tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

Pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

Que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

Tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade




Soneto do amigo - Vinícius de Moraes

Olá gente !!

O escolhido de hoje é um poema sobre amizade escrito pelo gênio Vinícius de Moraes, deleitem-se.
Soneto do amigo 




Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Caixa de sentimentos ... Pablo Neruda - Não te quero senão porque te quero

Olá!!

O poema de hoje é de um dos mais reconhecidos poetas latino-americanos, o chilena Pablo Neruda, traduz o que muitos sentem no poema :




Não te quero senão porque te quero

Não te quero senão porque te quero, 
e de querer-te a não te querer chego, 
e de esperar-te quando não te espero, 
passa o meu coração do frio ao fogo. 
Quero-te só porque a ti te quero, 
Odeio-te sem fim e odiando te rogo, 
e a medida do meu amor viajante, 
é não te ver e amar-te, 
como um cego. 

Tal vez consumirá a luz de Janeiro, 
seu raio cruel meu coração inteiro, 
roubando-me a chave do sossego, 
nesta história só eu me morro, 
e morrerei de amor porque te quero, 
porque te quero amor, 

a sangue e fogo.

E então gostaram?

Comentem , isso ajuda muito!

Beijos !!!!
AmY XO

Caixa de sentimentos... Friedrich Nietzsche - Vocação de Poeta

Olá gente !

 Faz um tempinho que não rola um poema por aqui, mas hoje eu voltei com tudo. Vamos curtir um poeminha do gênio Nietzsche.


Pássaros, bolas vermelhas e árvores Wallpaper

Vocação de Poeta

Ainda outro dia, na sonolência 
De escuras árvores, eu, sozinho, 
Ouvi batendo, como em cadência, 
Um tique, um taque, bem de mansinho... 
Fiquei zangado, fechei a cara - 
Mas afinal me deixei levar 
E igual a um poeta, que nem repara, 
Em tique-taque me ouvi falar 

E vendo o verso cair, cadente, 
Sílabas, upa, saltando fora, 
Tive que rir, rir, de repente, 
E ri por um bom quarto de hora. 
Tu, um poeta? Tu, um poeta? 
Tua cabeça está assim tão mal? 
- Sim, meu senhor, sois um poeta, 
E dá de ombros o pica-pau. 

Por quem espero aqui nesta moita? 
A quem espreito como um ladrão? 
Um dito? Imagem? Mas, psiu! Afoita 
Salta à garupa rima, e refrão. 
Algo rasteja? Ou pula? Já o espeta 
Em verso o poeta, justo e por igual. 
- Sim, meu senhor, sois um poeta, 
E dá de ombros o pica-pau. 

Rimas, penso eu, serão como dardos? 
Que rebuliços, saltos e sustos 
Se o dardo agudo vai acertar dos 
Pobres lagartos os pontos justos. 
Ai, que ele morre à ponta da seta 
Ou cambaleia, o ébrio animal! 
- Sim, meu senhor, sois um poeta, 
E dá de ombros o pica-pau. 

Vesgo versinho, tão apressado, 
Bêbada corre cada palavrinha! 
Até que tudo, tiquetaqueado, 
Cai na corrente, linha após linha. 
Existe laia tão cruel e abjeta 
Que isto ainda - alegra? O poeta - é mau? 
- Sim, meu senhor, sois um poeta, 
E dá de ombros o pica-pau. 

Tu zombas, ave? Queres brincar? 
Se está tão mal minha cabeça 
Meu coração pior há de estar? 
Ai de ti, que minha raiva cresça! 
Mas trança rimas, sempre - o poeta, 
Na raiva mesmo sempre certo e mau. 
- Sim, meu senhor sois um poeta, 
E dá de ombros o pica-pau. 


Gostou? Para quem gosta dessa coluna, uma novidade , estou pensando em dar uma modernizada nela. Vamos ver, vão rolar muitas novidades aqui em 2013, quem sabe essa não é uma delas.

Beijos queridos!!
 AMY XO

Caixa de sentimentos... Martha Medeiros- Eu minto

Olá gente!

 Sabe, eu estou em processo de conhecimento sobre poemas. Esse fim de semana fui em um evento literário ( vai rolar um post especial pra isso) e a autora disse que adorava a Martha Medeiros , fui pesquisar sobre ela e encontrei esse poema. Eu me identifiquei bastante com ela e acredito que muitas de vocês vão se identificar.



Eu minto
eu minto, confeso
me faço de boba, verdade
escondo a idade, me calo,
me sinto tão mal, um inferno
represento um papel, principal
sou mesmo uma atriz, infeliz
quem diz que eu não quero, eu consigo
viver por um triz, enlouqueço
te esqueço e te mato, te amo
atrás de um muro, qualquer
outro dia amanheço, de novo
e falo bobagens, pudera
não sou tão sensata, avisei
sem nada de mais, me despeço 





Martha Medeiros é jornalista e escritora de crônicas e romances voltados para o universo feminino.













E aí o que acharam? Comentem ! Beijos 
 Amy XO

Caixinha de sentimentos - A pálida luz da manhã de inverno. ( Fernando Pessoa)

Olá gente!

Hoje o poema é de Fernando Pessoa , assim que eu li esse poema eu adorei , meio melancólio porém na dose certa. Espero que gostem também.



A pálida luz da manhã de inverno

A pálida luz da manhã de inverno, 
O cais e a razão 
Não dão mais esperança, nem menos esperança sequer, 
Ao meu coração. 
O que tem que ser 
Será, quer eu queira que seja ou que não. 

No rumor do cais, no bulício do rio 
Na rua a acordar 
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer, 
Para o meu esperar. 
O que tem que não ser 
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar. 








Fernando Pessoa - (1888 - 1935)
Português. Adepto ao modernismo.
Poeta e escritor







Beijos gente! Comentem se gostarem , vou ficar muito feliz.